Postado por Julia Pierri em 15 de Julho de 2008 às 02:23

Viagem ao Centro de Mim

 

Título OriginalDarjeeling Limited (EUA,2007) 

Gênero: Comédia 

Direção: Wes Anderson 

Roteiro: Wes Anderson, Jason Shwartzman, Roman Coppola

 

Elenco:

  

Owen Wilson (Francis)

Adrien Brody (Peter)

Jason Shwartzman (Jack)

Anjelica Huston (Patricia)

Amara Karan (Rita)

Natalie Portman (Namorada de Jack)

Bill Murray (empresário)

 

O Diretor Wes Anderson parece ter uma veia especial para tratar da esquisitice e excentricidade humanas. Da mesma forma,  tem especial predileção pelos dramas de família e pelos encontros e desencontros que os laços consangüíneos trazem consigo.

Depois dos seus excêntricos Tennenbaums, outra família desequilibrada com a matriarca Anjelica Huston, Wes acerta em cheio com “Viagem a Darjeeling”, que pode ser considerado um sutêntico “rail movie” (a história se passa no Darjeeling Limited, linha de trem que dá nome ao filme).

 

 

O diretor consegue extrair o máximo de seus atores, especialmente de Jason Shwartzman, que co-roteirizou o filme, passando muitas de suas experiências pessoais no país dos marajás. De quebra, ainda apresenta ao mundo a estreante Amara Karan. A atriz educada em Oxford é natural do Sri Lanka e não da Índia, mas já vem fazendo sucesso como a comissária sensual do Darjeeling Limited.   O curta-metragem “Hotel Chevalier” abre o filme com a participação de Natalie Portman, aliás mostrando generosas porções de pele da atriz que satisfez os fãs mais ardorosos. É uma espécie de prévia do filme, com alguns elementos e conexões que o espectador mais atento irá encontrar no longa-metragem que segue. 

 

 

Imagine uma jornada de trem em família através da Índia, para encontrar-se consigo mesmo e com destino à terra do chá no sopé dos Himalaias. É o que fazem Francis (Owen Wilson), Peter (Adrien Brody) e Jack (Jason Shwartzman), três irmãos americanos que decidem viajar juntos para uma viagem de auto-conhecimento e também para resgatarem os laços familiares, frágeis após uma série de desentendimentos que seguem a morte do pai. Eles pretendem terminar a viagem em Darjeeling, onde a mãe (Anjelica Huston) tornou-se freira e vive de forma monástica.  Enfim, uma família saudavelmente neurótica como qualquer outra. No meio do caminho, as coisas desandam e nada sai como o planejado. De uma hora pra outra, os irmãos se vêem no meio do deserto, carregando apenas o conjunto de malas do falecido pai, algumas penas de pavão e muitas incertezas. 

 

 

E é exatamente aí, no inesperado, que a Índia se revela aos viajantes, como uma mulher que finalmente deixa cair seus véus para finalmente mostrar toda sua beleza e sensualidade, como uma mãe sábia que sabe ser amorosa e severa ao mesmo tempo, como a irmã forte que ampara no meio do caminho.

 

 

O diretor Wes Anderson capta com grande sensibilidade o espírito de milhares de viajantes que chegam à Índia todos os anos imbuídos de espírito de aventura e de muita coragem, necessária para se confrontar com seus próprios fantasmas interiores. Apesar disso, o filme é repleto de boas risadas e situações pra lá de insólitas. Inacreditavelmente, as situações mais insólitas acontecem na Índia e nos parecem perfeitamente plausíveis. É simplesmente uma característica do país onde tudo pode acontecer. É um dos melhores filmes de 2007 na opinião desta espectadora, que se identificou com o filme do começo ao fim.

 

 

Agora, uma nota pessoal: Lembro-me de estar sozinha em um trem que ia de Pushkar, no Rajastão para Bombay, ou hoje Mumbai, para pegar meu vôo de volta ao ocidente depois de nove meses de descobertas intensas, revelações espetaculares, alegrias que carrego até hoje e confrontos  com dores e tristezas há muito tempo acalentadas por mim. Olhando pela janela do trem, chorei. Chorei já de saudades da Índia, chorei de alegria. Principalmente, chorei de gratidão.

 

 

 

por Cleibson (não registrado), em 12 de Setembro de 2008 as 7:22 AM

Oi Julia. Você já assistiu 'ensaio sobre a cegueira'? O que pode dizer sobre esse filme. Procurei informações na internet, mas uns dizem umas coisas e outros discordam daquilo. Não há consenso sobre este filme.

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Perfil

"Kiss Kiss Bang Bang" foi a frase escolhida pela divina Pauline Kael para designar o apelo básico dos filmes hoje em dia: muita ação, e um romancezinho no meio para descer melhor. O mesmo acontece com os produtos culturais. Em tempos de cultura fast-food e tantas informações, Julia Pierri encontra e indica pequenas pérolas e preciosidades do cinema.

Julia Pierri é apaixonada por cinema. jupierri@gmail.com