Solidão em excesso faz mal

por Redação Meia Fina
A solidão pode fazer bem em pequenas doses. Naqueles dias difíceis,  ficar só ajuda a colocar as ideias em ordem e extravasar o que incomoda. Mas o afastamento dos amigos e família se torna um mal quando em excesso – e os problemas causados pelo isolamento não são apenas psíquicos.  Um estudo recente da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, mostrou que os solitários são tão propensos a desenvolver doenças quanto os fumantes e sedentários. Entre os males, estão aqueles relacionados a processos inflamatórios, como as doenças cardiovasculares, e infecções por vírus.

De acordo com os pesquisadores, as pessoas que se afastam do convívio possuem genes menos ativos na proteção contra os vírus. Isso ocorre pela falta de exposição às doenças, o que acarreta no mau desenvolvimento do sistema imunológico. Os solitários ainda ficam mais propensos a desenvolver processos inflamatórios, porque suas defesas ficam concentradas nas bactérias e reagem a elas com mais recorrência. Com isso, pessoas que ficam em estado de isolamento constante têm mais tendências a ter problemas como enfarto e derrame, além de contrair vírus com mais facilidade, desde as gripes ao HIV.

Quando existe um desequilíbrio psicológico não é raro que ele venha acompanhado de problemas físicos, já que o corpo funciona em unidade. É por essa causa que constantemente vemos casos de isolamento que levam à depressão, que por sua vez pode causar obesidade, perda de sono, pressão alta, queda nas defesas do organismo e tendência a vícios como o álcool e o cigarro.

Mas vale lembrar que a solidão só é prejudicial quando a pessoa passa a evitar até os relacionamentos mais próximos, como o relacionamento com familiares, e esse isolamento passa a interferir negativamente em sua vida. É o que ocorre, por exemplo, no caso de pessoas que optam constantemente por ficar sozinhas ao invés de se divertir com os amigos, pessoas que perdem com frequência oportunidades de emprego ou deixam de frequentar lugares porque preferem não interagir. 

A solidão pode ser um fator da personalidade, mas também pode surgir ao longo da vida. Ela incomoda, por exemplo, mulheres que veem os filhos se mudarem para suas próprias casas ou casais que passaram por uma separação. Um homem acostumado com a família em casa pode ficar extremamente aflito se a família deixa de estar lá todos os dias. Nesses casos, é importante ter consciência do problema e procurar ajuda. Uma vida balanceada, com uma boa alimentação, prática de exercícios e a busca por relacionamentos saudáveis pode ajudar. É importante também não deixar as tarefas cotidianas de lado, como o trabalho ou um hobby. A convivência com outras pessoas, além de aliviar o estresse, pode trazer novos relacionamentos de qualidade.

É aconselhável também reservar sempre um momento para os amigos e para a família e procurar conhecer pessoas novas constantemente, mesmo que esses novos conhecidos não venham a ser amigos próximos futuramente. Também é essencial superar os problemas passados que levaram ao isolamento e evitar os pensamentos pessimistas em relação ao futuro. Lembre-se que os acontecimentos anteriores foram condicionados pelas circunstâncias do momento. Terminar um relacionamento por causa de uma traição não significa que todos os relacionamentos futuros terminarão da mesma forma – as circunstâncias e as pessoas envolvidas mudam.


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