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05/08/2008 - 12h00
Casa | Fernanda Peruzzo

Botões e pregas

Lembram do capitonê, aquele trabalho de tapeçaria com botões costurados profundamente e que sempre foi sinônimo de sofás e poltronas tradicionais?

Pois é. Os designers andaram olhando para ele com ótimos olhos e o resgataram da poeira do passado e do mau gosto.

No último Salão de Móveis de Milão, o acabamento capitonê se mostrou a grande aposta do setor decorativo. Coisa que não acontecia desde o lançamento da poltrona Barcelona, de Mies van der Rohe, na década de 20, e do lançamento do sofá Chesterfield, aquele mesmo que entope boa parte das lojas de gosto duvidoso, mas que um dia (acreditem) foi refinado e moderno.

O time de designers e arquitetos que resolveram renovar o capitonê se divide entre aqueles que respeitam a tradição do estilo Napoleão III, que o caracteriza, e aqueles que apostam na ironia e no deboche para brincar com essa tradição.

Philippe Starck faz parte do time que resolveu abusar dos botões para criar coleções exclusivas de sofás, poltronas e pufes para as marcas italianas Dríade e Cassina.

O espanhol Jaime Hayon misturou couro e polietileno para criar a sua linha ultra conceitual BD Showtime. As peças vermelhas ou brancas tem espaldares enormes, quase desproporcionais, ou formas que brincam com os móveis em estilo Napoleão III.

Essa relação entre o passado e o presente ganha ainda mais interessantes nas cadeiras Gamme Capiton, da francesa Magali Jeambrun, para a ETC Créations. Feitas num tipo especial de acrílico, elas apresentam pequenas depressões no assento e encosto que imitam a pressão dos botões.

Aqui no Brasil, por enquanto, essas peças são difíceis de encontrar. Mas, é possível e viável dar novas cores à clássica Chesterfield. Ou abusar da beleza unânime da coleção Barcelona, de van der Rohe.

Um pouco de história...

O capitonê é um dos trabalhos de tapeçaria típicos do estilo Napoleão III e marca o auge da utilização dos tecidos (principalmente os veludos) e couros na decoração francesa.

O Napoleão III é o estilo francês do século XVIII. Ironicamente, sua definição é ser uma mistura de estilos anteriores. Porque, o Bonaparte da época reavivou o neo-clássico, e foi na sua época que nasceu o neo-clássico francês que virou símbolo de boa parte de Paris, em especial das regiões urbanizadas pelo barão de Haussmann. A Ópera Garnier é do seu período. E ela é famosa exatamente pela mistura quase absurda de elementos e estilos arquitetônicos (para nossa sorte, com um belo resultado!).