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Não é birra!
por Redação Meia Fina
A depressão, um transtorno que muita gente acha que só atinge jovens e adultos, também pode estar presente nas crianças. Muitas vezes está associada ao TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade - presente em cerca de 5% a 13% da população infantil.
Cerca de 14% das crianças com TDAH apresentam depressão, segundo mostram estudos realizados aqui no Brasil. "Se levarmos em conta a possibilidade de ocorrência de um episódio depressivo ao longo da vida da criança com TDAH essa porcentagem é absurdamente maior. A conseqüência dessa associação do TDAH com a depressão na infância e adolescência é o agravamento de ambos os transtornos e menor eficácia do tratamento instituído", revela Dr. Marco Arruda, neurologista da infância e adolescência.
Numerosos fatores atuam no desencadeamento da depressão, como os genéticos, químicos cerebrais e ambientais. A doença pode se manifestar até mesmo em crianças pré-escolares, com menos de seis anos de idade. "Para atenção dos pais, a depressão na infância ocorre na mesma freqüência em ambos os sexos, mas a partir da adolescência até a vida adulta ela é mais freqüente no sexo feminino", alerta Dr. Arruda.
O diagnóstico da depressão é mais difícil nas crianças, pois os sintomas podem ser confundidos com birra ou falta de educação, mau humor e agressividade. Mesmo assim, alguns comportamentos ajudam a indicar que uma criança possa estar deprimida.
Os principais sinais são: tristeza, negativismo, irritabilidade, falta de iniciativa e perda do interesse por coisas que anteriormente essa criança ou adolescente gostava. Muitas vezes associam-se sintomas físicos como cansaço, fadiga, dor de cabeça e alterações do sono e do apetite.
As repercussões na escola são prontamente observadas, a criança fica mais lenta e desatenta, cai o desempenho e surgem conflitos em decorrência de mudanças bruscas do humor (como explosões de raiva) ou tendência ao isolamento social.
Segundo o especialista, embora não exista uma receita para evitar quadros depressivos, alguns cuidados na educação dos filhos são bastante úteis para a prevenção:
- Eduque seus filhos para a autonomia com um forte senso de identidade e auto-estima positiva. Procure desenvolver nele independência e capacidade de autocontrole.
- Eduque seus filhos para que tenham competência social. Para isso precisam ser flexíveis, sensíveis, atenciosos e com habilidade para demonstrar suas emoções e bom humor.
- Procure intensamente a harmonia e o otimismo no ambiente familiar, isso irá colaborar muito com os aspectos relacionados acima.
- Procure estar sempre bastante envolvido com os seus filhos, só assim poderá ter empatia com ele, ou seja, se colocar nos sapatos dele e poder entender seus desafios, incertezas, pensamentos e comportamentos.